Como se diz navegar em francês? Se você não sabe, é bom aprender porque só dá gente da terra de Thierry Henry chegando no píer do Terminal Náutico da Bahia. ‘Naviguer’ é com eles mesmos.
Au revoir, quem ficou pra trás! O pódio da regata internacional Transat 6.50 Charrente-Maritime Bahia teve como único idioma o francês: depois da vitória de Yves Lê Blévec, ontem (23), chegou a vez de David Sineau e Fabien Després chegarem a Salvador.
Foram 18 dias, 1 hora, 38 minutos e 50 segundos de muito cansaço e uma viagem inesquecível do Funchal até Salvador, mas valeu a pena, depois que Fabien e seus compatriotas franceses caíram de roupa e tudo no mar da Bahia para festejar o pódio.
Bem que poderia ter sido servida uma taça da melhor champanhe francesa, mas os velejadores curtiram um gole de caipirinha, antes de fazer a festa no Terminal Náutico da Bahia, no bairro do Comércio, em Salvador.
Fabien Després, 27 anos, é daqueles que veleja o tempo todo, e não é exagero para valorizar o texto. Desde que estava na barriga da mãe, Fabien sacode sem enjoar, pois os pais são navegadores. “Cresci em um navio, o Notre Dame dos Flots”, afirmou.
Foi a primeira corrida em solitário do navegador, em travessia do Atlântico, mas ele afirma não ter sentido falta de nada, nem de sono ou companhia, para conseguir chegar atrás apenas do campeão Yves, que estava na lista de espera e conseguiu entrar na regata.
Nick Brennan chegou em quarto lugar. Seu tempo da corrida nesta segunda fase é de 18 dias, 2 horas, 10 minutos e 03 segundos,. Na travessia total – La Rochelle/Salvador - gastou 24 dias, 10 horas, 54 min e 04 seg. Logo após chegou Deshayes Ronan.
À medida em que os pequenos barcos de 6,5 metros vão atracando, o som vai aumentando na festa preparada pelo governo da Bahia para receber os velejadores da regata internacional.
E são eles mesmos que sugerem a música, enviando arquivos em formato MP3 que a funcionária da Superintendência de Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), Dayse Vieira, se encarrega de organizar em CDs.
Entre os mais pedidos, estão The Doors, banda de rock de Jim Morrison, e o Pink Floyd, de Roger Waters, ambos idolatrados pelos roqueiros dos anos 1970, mas que sobrevivem ao passar do tempo, em novos arranjos ou fiéis à batida original. Mas, entre os 84 navegadores, há também quem curta a música brasileira, como Jorge BenJor, e sua célebre “País Tropical”, que reúne alguns dos estereótipos com os quais o Brasil ainda é identificado até hoje, 40 anos depois de a música ter feito sucesso.
A baiana Ivete Sangalo e sua “Pererê” também já está na lista organizada por Dayse, que vem tomando todos os cuidados para tocar o som correspondente ao número do barco do navegador, cada vez que vê que tem algum mini chegando no píer.
Curiosamente, como exceção, no entanto, o vencedor Yves Lê Blêvec teve a tradicional batucada como o som isolado de sua chegada. “Ele entrou na regata depois, porque estava na lista da espera e não deu tempo de enviar sua sugestão”, explicou Dayse.
O campeão Yves tirou o dia de hoje para descansar um pouco, antes de planejar uma programação turística pelo Centro Histórico de Salvador e, claro, alguns trechos da costa ideais para o hábito de velejar.
A expectativa no Terminal Náutico da Bahia é por mais barcos, muito som e... caipirinha que os visitantes adoram, pois chegam com muita sede, depois de tanto tempo sozinhos no mar.
Nos próximos dias, todos os 84 barcos estarão em Salvador para comemorar os trigésimo-aniversário da prova criada por um britânico, Bob Salmon, e depois desenvolvida principalmente com o apoio dos navegadores franceses de La Rochelle.
Referência internacional de qualidade, esta regata revela navegadores para outras provas de aventura marítima e vem se tornando conhecida mundialmente desde que incluiu Salvador no roteiro, ultrapassando a linha do Equador e unindo os dois hemisférios.

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