Ciclo de Regatas na Bahia - Trabalho duro em terra antes da volta ao oceano

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Costurar velas, remendar mastros e conferir o que falta consertar em Salvador para voltar ao Oceano Atlântico até chegar em Durban, na África do Sul. Este foi o trabalho duro, hoje (22) pela manhã, das 10 tripulações da regata internacional Clipper round the World.

Uma das competições náuticas mais badaladas do mundo, a regata muda de cenário, do alto mar passa para o cais, mas a competição continua. O capitão que for flagrado encomendando conserto de qualquer equipamento perde ponto. Idéia é testar a capacidade da equipe.

A sensação de pertencer a um grupo aumenta quando a tarefa envolve, por exemplo, carregar um mastro partido ao meio. “Tomamos o maior susto porque fez um barulhão quando quebrou. Agora é tentar arrumar”, disse um navegador inglês, de bom-humor.

Todos os tripulantes são amadores, daí a dificuldade em conseguir deixar tudo em ordem, apesar do treinamento de quatro semanas na Inglaterra, antes de a Clipper partir para a primeira etapa, de Liverpool a La Rochelle, na França.

Saber mexer com o barquinho de 32 toneladas e todo em fibra de vidro não parece ser fácil. “Subir no mastro de 28 metros equivale a mais ou menos um edifício de seis andares”, afirma o brasileiro Fernando Gonçalves, que corre pela equipe Qingdao.

Mais que vencer a prova, o objetivo da equipe é divulgar a cidade do mesmo nome, onde acontecerão as provas náuticas dos Jogos Olímpicos do próximo ano. Além de dar visibilidade a Qingdao, a regata favorece a mensagem positiva sobre a diversidade de culturas no mundo.

Gonçalves alerta que, apesar de não se ter registrado acidente grave com nenhum barco nos 12 anos de história da Clipper, as contusões, fraturas e luxações ocorrem por conta das situações de risco nas quais se envolvem os tripulantes.

Em Salvador, uma tripulante do barco Western Australian precisou passar por uma cirurgia a laser na vista, depois de ter sido atingida por uma corda, no caminho de La Rochelle para a capital baiana.

Susto maior passou um outro colega do inglês Hull & Humber, que machucou o pé esquerdo após ficar pendurado no mastro, de ponta-cabeça, enrolado na corda, pois não conseguiu desvencilhar-se a tempo quando a vela foi içada por outro tripulante.

Não se pode dizer com certeza se é por conta deste temor de acidentes que quase todos os cerca de 150 integrantes das 10 tripulantes estão usando fitas do Senhor do Bonfim, que eles colocaram no pulso quando desembarcaram em Salvador.

O ursinho Panda, animal sagrado para os orientais, está protegendo o barco chinês Qingdao, enquanto o New York tem a figura de um cachorro, que teria a missão de garantir boa sorte.

Tão chato quanto chegar no seu porto de destino com alguém lesionado a bordo é encerrar uma perna ou etapa nas últimas colocações, pois as tripulações ficam com a estima lá embaixo, o que pode ser fatal para as próximas provas.

Para esquecer o desempenho, o jeito é fazer um belo passeio turístico, como decidiram ontem as tripulações do Jamaica e do New York, que programaram uma visita a Morro do São Paulo, no Baixo Sul baiano.

Aí, nada de consertar vela nem ficar apertando parafuso, porque chega o momento de dar o tempo e fazer o reparo na mente dos momentos de estresse de uma regata tão interessante quanto perigosa.

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