NOTÍCIAS - 2 de Julho
02
Jul
2009

Liberdade de expressão e pensamento e novidades marcam o 2 de Julho

Maculêle, banhos de folhas e manifestações culturais, políticas e ambientais representaram o espírito das comemorações de 2 de Julho – a liberdade. A manhã de festa começou com a alvorada de fogos no Largo da Lapinha, a partir da qual milhares de baianos e turistas se concentraram para a festa que homenageia caboclos, índios e demais heróis que fizeram a independência da Bahia e do Brasil.

Durante as comemorações, o governador Jaques Wagner lembrou que o Governo do Estado enviou uma proposta para ser votada na Assembléia Legislativa, transformando o Hino ao 2 de Julho no hino oficial da Bahia. “A homenagem é mais do que verdadeira porque é preciso que o povo saiba que, se a batalha de 2 de Julho tivesse sido perdida, é possível que a configuração e a geografia do Brasil fosse outra”, afirmou.

“É preciso que o país inteiro conheça a data de 2 de Julho, assim como o 25 de junho de 1822, quando a Câmara de Cachoeira foi a primeira a proclamar a independência do território baiano, particularmente do Recôncavo”, disse Wagner.

Para ele, o 7 de setembro, quando Dom Pedro proclamou a independência às margens do Ipiranga, só foi consolidado com a derrota das tropas fiéis à coroa portuguesa, em 2 de julho. “Eu acho que o Brasil deve muito aos heróis do 25 de junho de 1822, de 2 de julho de 1823 e o meu esforço é para que esta história seja resgatada”, destacou.

A historiadora e presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Consuelo Pondé, concorda com Wagner. “O 7 de Setembro não tem a mesma importância, pois foi quando ficaram livres as províncias do Sul, enquanto as do Norte e Nordeste continuaram sob o domínio português. Portanto, o nosso 2 de Julho é a maior data da independência nacional” afirmou.

Participação popular

Para Wagner, a população participa cada vez mais do 2 de Julho, data que deve ser reverenciada e amada, principalmente pela juventude. “Esta data é uma fonte de inspiração e de valores de gente que se entregou para ver a nossa terra independente e eu acho que não basta um monumento, é preciso que todo o ano estes heróis sejam lembrados”, afirmou Wagner já no final dos festejos, no Campo Grande.

Exemplos de gente homenageando os heróis, não faltaram desde a Lapinha até o Campo Grande. Eram Marias Quitérias, Joanas Angélicas, índios e caboclos que estavam representados em fantasias alegres e coloridas. “Eu aprendi quem foi Maria Quitéria na escola, então, aluguei esta farda e vim brincar na festa”, disse a estudante Cláudia Honorato, 16 anos.

O aposentado Wagner Américo Silva, 80 anos, conhecido como Poeta das Flores, todos os anos coloca um fraque e desfila com uma placa, homenageando diversos heróis do 2 de Julho. “A minha felicidade faz com que todo ano eu venha à festa e coloque a minha fantasia, e com a minha homenagem eu procuro alegras as pessoas”, afirmou.

A fé também estava presente nas comemorações. A aposentada Valdelice Araújo, 80 anos, tomou um banho de folhas e recebeu uma benção pedindo paz e prosperidade ao caboclo. “Hoje é o dia para se celebrar a liberdade”, comentou.

A ialorixá Vera Alaine passou o dia fazendo reza e dando banho de folhas em baianos e turistas que passaram pela Lapinha. “Hoje é também o dia do caboclo, não pode ser coincidência ser ainda o dia da independência da Bahia e do Brasil”, relacionou. Ela lembrou que índios e caboclos deram origem à população brasileira.

Já a geração de emprego e renda foi o que motivou os vendedores ambulantes Pedro Souza (31), de algodão doce, e Júlio Santos (37), de brinquedos. “Eu sou representante comercial, mas aproveito o movimento para ganhar um dinheiro extra”, disse Júlio. Pedro já contabilizava o lucro do dia: “espero chegar em casa com pelo menos R$ 100 a mais para o orçamento”.

Marco Aurélio Calil, filiado a um órgão ambientalista, também aproveitou a festa para passar a sua mensagem, junto com o seu grupo. “Já que este dia importante trouxe a independência para a Bahia e para o Brasil, acho que é uma boa oportunidade para se chamar a atenção sobre a importância e o respeito ao meio ambiente”, afirmou.

Novas tradições

Nem só as homenagens de sempre pautaram os festejos do 2 de Julho. Outros heróis também foram reverenciados com novos eventos que prometem se tornar tradição nas comemorações da data. “Fizemos uma inovação com a participação da Marinha e o hasteamento da bandeira no Forte de São Marcelo, por sugestão da Fundação Pedro Calmon, homenageando o comandante João das Botas, que por mar se juntou às forças terrestres derrotando as tropas fiéis à coroa portuguesa”, afirmou.

Wagner observou que esta é a primeira vez que o Governo do Estado e as Forças Armadas Brasileiras, em particular a Marinha, se juntam nesta homenagem. “Aqui, na Ala Esquerda do nosso Forte, tivemos a salva de tiros, em homenagem também aos combatentes que não usavam fardas. Foi outro reconhecimento a estes heróis que precisam ser lembrados”, refletiu.

As homenagens foram encerradas no final da tarde, no Campo Grande, com o acendimento da pira com o fogo simbólico do 2 de julho, que saiu no último dia 30 da cidade de Cachoeira, a 110 quilômetros de Salvador e passou por outros diversos municípios até chegar à capital.

O fogo simbólico sai de Cachoeira porque foi na então Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira que o povo do Recôncavo deu o primeiro passo para a liberdade e unificação do país, ao pegar em armas para expulsar militares portugueses que tentavam sitiar a população.


     

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